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๑۩۞۩๑ O meu espaço ๑۩۞۩๑

Sou vento, mar e razão...existo nas marés que não regressam, apago os passos na areia e voo eternamente.

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Faial  
第 1 张,共 50 张
4月16日

A Rapariga do País de Abril - Manuel Alegre

 

 

 
 

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A Rapariga do País de Abril

Habito o sol dentro de ti
descubro a terra aprendo o mar
rio acima rio abaixo vou remando
por esse Tejo aberto no teu corpo.

E sou metade camponês metade marinheiro
apascento meus sonhos iço as velas
sobre o teu corpo que de certo modo
é um país marítimo com árvores no meio.

Tu és meu vinho. Tu és meu pão.
Guitarra e fruta. Melodia.
A mesma melodia destas noites
enlouquecidas pela brisa no País de Abril.

E eu procurava-te nas pontes da tristeza
cantava adivinhando-te cantava
quando o País de Abril se vestia de ti
e eu perguntava atónito quem eras.

Por ti cheguei ao longe aqui tão perto
e vi um chão puro: algarves de ternura.
Qaundo vieste tudo ficou certo
e achei achando-te o País de Abril.


Manuel Alegre


 

" Senhor falta cumprir-se Portugal"

Fernando Pessoa

 


 

4月5日

3 poemas de Fernando Pessoa

 
 
 

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Autopsicografia
                                   
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Tabacaria 
 

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas —
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas —,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma sem
Porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates coma mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê —
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como
Tabuletas
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma conseqüência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.

(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)

Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo

Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.
 

Álvaro de Campos

 

        Um dia a maioria de nós irá separar-se.
        Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que partilhamos.

        Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das vésperas dos finais de semana, dos finais de ano, enfim... Do companheirismo vivido.

        Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
        Hoje não tenho mais tanta certeza disso.

        Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum desentendimento, segue a sua vida. Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nas cartas que trocaremos.
        Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices...

        Aí, os dias vão passar, meses... anos... até este contacto se tornar cada vez mais raro.

        Vamo-nos perder no tempo....
        Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão: "Quem são aquelas pessoas?"
        Diremos...que eram nossos amigos e...... Isso vai doer tanto!

        -"Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!"

        A saudade vai apertar bem dentro do peito.
        Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente......
        Quando o nosso grupo estiver incompleto...
        Reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo.
        E, entre lágrima abraçar-nos-emos.
        Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante.

        Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida, isolada do passado.

        E perder-nos-emos no tempo.....
        Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades....

        Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os
        Meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!"


        "Fernando Pessoa "  

     


 

3月25日

As Baleias

 
 

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As Baleias

Não é possivel que voce suporte a barra
De olhar nos olhos do que morre em suas mãos
E ver no mar se debater o sofrimento
E até sentir-se um vencedor neste momento

 

Não é possivel que no fundo do seu peito
Seu coração não tenha lágrimas guardadas
Pra derramar sobre o vermelho derramado
No azul das águas que voce deixou manchadas

 

Seus netos vão te perguntar em poucos anos
Pelas baleias que cruzavam oceanos
Que eles viram em velhos livros

 

Ou nos filmes dos arquivos
Dos programas vespertinos de televisão

 

O gosto amargo do silêncio em sua boca
Vai te levar de volta ao mar e a fúria louca
De uma cauda exposta aos ventos

 

Em seus últimos momentos
Relembrada num troféu em forma de arpão

 

Como é possível que voce tenha coragem
De não deixar nascer a vida que se faz
Em outra vida que sem ter lugar seguro
Te pede a chance de existência no futuro

 

Mudar seu rumo e procurar seus sentimentos
Vai te fazer um verdadeiro vencedor
Ainda é tempo de ouvir a voz dos ventos

 

Roberto Carlos / Erasmo Carlos

 

 
 

 

 Ganda Pinta

3月9日

Homenagem a Aristides Sousa Mendes

Homenagem  a Aristides Sousa Mendes

 

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Num pais com tantos vultos "imortais"choca saber
que logo o maior vulto não é conhecido bem pelos
portugueses, é mais conhecido no estrangeiro que
em Portuga, um diplomata que não conhecendo
xenofobia, a sua unica causa era a consciencia,
não olhando a sexos, credos ou condição social
salvou da morte certas cerca de 30.000mil pessoas,
morreu na miseria, abandonado pelos outrora amigos
alimentado na cozinha economica judaica, os
próprios filhos tiveram q imigrar pois foram
perseguidos pelo anterior regime, impedidos de
arranjar trabalho fosse onde fosse.

 

Os homens são do tamanho dos valores que defendem.
Aristides de Sousa Mendes foi, talvez por isso,
um dos poucos heróis nacionais do século XX e o
maior símbolo português saído da II Guerra Mundial.
Em 1940, quando era cônsul em Bordéus,
protagonizou a "desobediência justa". Não acatou
a proibição de Salazar de se passarem vistos a
refugiados: transgrediu e passou 30 mil, sobretudo
a judeus. Foi demitido compulsivamente. A sua vida
estilhaçou-se por completo. "É o herói vulgar.
Não estava preso a causas. Estava preso a uma
questão fundamental: a sua consciência"

 

 

Aristides de Sousa Mendes foi o "Schindler português"
muito antes de o alemão começar a sua actividade
humanitária em prol dos judeus. Atendendo à verdade
histórica, Oskar Schindler é que foi o Aristides
alemão. De uma coisa ninguém tem dúvidas:
Aristides de Sousa Mendes é um dos maiores símbolos
nacionais da II Guerra Mundial. Foi o homem como
metáfora do humanismo. Em 1940, Aristides era cônsul
de Portugal em Bordéus e, indo contra uma directiva
expressa de Salazar para não se concederem vistos a
refugiados que quisessem atravessar a França para
chegar a Portugal, desobedeceu e passou 30 mil
vistos. "Na vida de cada pessoa há uma ou outra
oportunidade para se revelar, para mostrar aquilo
em que acredita e levar isso até às últimas
consequências", diz D. Manuel Clemente, bispo
auxiliar de Lisboa. "Ele revelou um sentido de
rasgo, um sentido de risco."


No século XX português não há outra figura que
tenha mudado tanto - objectiva e materialmente -
a vida de milhares pessoas. "Ele representa a
desobediência justa", refere António Costa Pinto,
historiador e professor do Instituto de Ciências
Sociais. "É o exemplo de solidariedade. A sua
figura é muito associada ao humanismo do século XX."

 

No momento crucial da vida na Europa e no mundo,
Aristides de Sousa Mendes foi capaz de distinguir
o essencial do acessório. "Percebeu que não poderia
ficar indiferente à sorte de milhares de pessoas
que foram aparecendo no Consulado de Portugal em
Bordéus", diz José de Sousa Mendes,
sobrinho de Aristides.

 

Nascido numa abastada família de antigos fidalgos
de província, de Cabanas de Viriato, perto de Viseu,
Aristides e o irmão gémeo cursam Direito em Coimbra
e seguem a carreira diplomática. Perseguido pelo
regime sidonista e a I República em geral, após o
golpe de 28 de Maio de 1926 é colocado em Vigo,
num posto prestigiante e de confiança. A seguir é
transferido para Antuérpia, outro posto de
confiança, onde ficará nove anos. Com 50 anos é
o decano do corpo diplomático.

Em 1938, após Salazar recusar o seu pedido para
permanecer na Bélgica, é colocado em Bordéus.
Em 1939, com o rebentar da II Guerra Mundial e,
em 1940, devido à invasão da França pelas tropas
alemãs, milhares de refugiados fogem para sul.
Os jardins do Consulado e as ruas vizinhas
servem de local de acampamento a milhares de
pessoas, das mais variadas nacionalidades,
sobretudo judeus, que fogem da perseguição
nazi, mas também gente que foge somente da
guerra.

 

Com a proibição de Salazar - que além de
presidente do Conselho de Ministros era
ministro dos Negócios Estrangeiros - de se
passarem vistos a refugiados, sobretudo a
"israelitas", Aristides de Sousa Mendes segue
a sua formação humanista e católica e
desobedece. Passa (com dois dos seus filhos
mais velhos) milhares e milhares de vistos
àqueles fugitivos, entre os dias 17 e 19 de
Junho de 1940. Terão sido passados cerca de
30 mil, nesses escassos dias. "Concede vistos
sem olhar a nacionalidades, etnias ou religiões.


Graças a ele, Portugal ficou na história como
um país que apoiou os refugiados durante a II
Guerra Mundial", lembra a historiadora Irene
Pimentel. "Aristides marca de forma indelével
a história de Portugal porque permitiu
reconciliar-nos com a nossa dignidade. Mais
do que qualquer outra pessoa da sua época,
dignificou o que era ser-se humano e ser-se
português", diz Fernando Nobre, presidente
da Fundação AMI.

 

O mais atraente na história de Aristides de
Sousa Mendes é ele ser uma espécie de herói
vulgar, que está preso "apenas" à sua
consciência. Quando se deu a ocupação do
Consulado, fechou-se num quarto para reflectir
o que deveria fazer. Numa alucinante inquietação,
ficou apenas ele e o seu dilema: respeitaria
as ordens superiores - o que, aliás, havia
feito toda a vida - ou responderia à sua
consciência? "Aristides de Sousa Mendes era
um homem vulgar, um funcionário ordeiro, com
mais de 50 anos e 12 filhos, que nunca se
tinha oposto ao regime ditatorial existente
em Portugal", conta o jornalista Ferreira
Fernandes. "Mas naquela hora respondeu à sua
consciência. E isso foi extraordinário."

 

Continuando a desobedecer às ordens superiores,
provou que não tinha vocação de capacho. Pela
inacção dos colegas de Bayonne e de Hendaye,
desloca-se a estas cidades nos dias seguintes
e ele próprio emite mais alguns milhares de
vistos. "Segue a sua consciência humanista
universal", refere Medeiros Ferreira, historiador
e professor universitário. "Opta nitidamente
pela desobediência civil. Opta por salvar
aquelas milhares de pessoas que estavam nas
escadarias do Consulado à espera de um
visto salvador."

 
Alberga no seu palácio de Cabanas de Viriato
muitas famílias de refugiados, hipotecando para
o efeito todo o recheio. Já na miséria, é
auxiliado pela Comunidade Israelita de Lisboa
a partir de 1941, sendo muitos dos seus filhos
chamados por aqueles que haviam sido salvos,
sobretudo a partir dos Estados Unidos e do
Canadá. "Aquilo que mais admiro foi a
capacidade de ter aguentado a vida nos
quase 14 anos que se seguiram àquele
acontecimento", sublinha José de Sousa Mendes.
"O seu mundo desabou totalmente."

 

Em 1945, terminada a Guerra, tendo feito uma
exposição para tentativa de reapreciação do
seu processo, não recebe resposta. A situação
de miséria agrava-se. Em 3 de Abril de 1954
morre, no Hospital da Ordem Terceira,
em Lisboa, desonrado e sozinho
(os filhos já tinham todos emigrado para a
América), acompanhado apenas por uma sobrinha.

  

Ainda hoje a figura de Aristides de Sousa
Mendes é controversa. "A nível da diplomacia,
há quem diga que o dever de obediência deveria
estar acima da sua atitude humanitária",
conta Irene Pimentel. "Eu acho que não.
É precisamente nestas alturas que se vê a
postura dos seres humanos." Pormenor importante:
por incrível que pareça, Aristides de Sousa
Mendes só foi reabilitado nos anos
80 do século XX - e muito por pressão exterior.
Foi primeiro elogiado nos Estados Unidos e
em Israel. É considerado o justo entre os justos.

 

"Em 1987, reencontrei um dos filhos dele que
emigrou para o Canadá, numa homenagem a
Aristides, na Alameda dos Justos, em Jerusalém,
onde há uma árvore dedicada a cada um dos
justos que ajudou os judeus durante a guerra.
Fomos convidados para regar essa árvore", conta,
emocionado, José de Sousa Mendes. "Aristides
não tem um monumento em Portugal. Mais do que
um monumento, deveria haver simplesmente uma
lei que dissesse: 'A nuvem - aquela coisa
efémera -, a nuvem mais bonita em Portugal,
todos os dias, deveria
chamar-se Aristides de Sousa Mendes'"

 

  

 

 

2月27日

Caderno-Toquinho

 
 
 

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CADERNO
- TOQUINHO –
 

 

Sou eu que vou seguir você
do primeiro rabisco até o be-a-bá.

Em todos os desenhos coloridos vou estar:

a casa, a montanha, duas nuvens no céu
e um sol a sorrir no papel.

 

 

Sou eu que vou ser seu colega,
seus problemas ajudar a resolver.
Te acompanhar nas provas bimestrais,você vai ver.

Serei de você confidente fiel,
se seu pranto molhar meu papel.
Sou eu que vou ser seu amigo,
vou lhe dar abrigo, se você quiser.
Quando surgirem seus primeiros raios de mulher.
A vida se abrirá num feroz carrossel
E você vai rasgar meu papel.

 

O que está escrito em mim
comigo ficará guardado, se lhe dá prazer.
A vida segue sempre em frente, o que se há de fazer.

 

Só peço a você um favor, se puder:
não me esqueça num canto qualquer.

 

 

0001re73

 

 

 

 

 

 

 

Martins Carlos

职业
兴趣
Sou portugues, a minha idade cronológica situa-se na casa dos enta, a idade de espírito é muito, mas mesmo muito inferior, digamos que não tenho rugas na alma em termos da maneira de ser.


"Só se vê bem com o coração; o essencial é invisível aos olhos" Saint Exupéry

"Os poderosos podem matar uma, duas até três rosas, mas nunca deterão a primavera."

Che Guevara