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    April 16

    A Rapariga do País de Abril - Manuel Alegre

     

     

     
     

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    A Rapariga do País de Abril

    Habito o sol dentro de ti
    descubro a terra aprendo o mar
    rio acima rio abaixo vou remando
    por esse Tejo aberto no teu corpo.

    E sou metade camponês metade marinheiro
    apascento meus sonhos iço as velas
    sobre o teu corpo que de certo modo
    é um país marítimo com árvores no meio.

    Tu és meu vinho. Tu és meu pão.
    Guitarra e fruta. Melodia.
    A mesma melodia destas noites
    enlouquecidas pela brisa no País de Abril.

    E eu procurava-te nas pontes da tristeza
    cantava adivinhando-te cantava
    quando o País de Abril se vestia de ti
    e eu perguntava atónito quem eras.

    Por ti cheguei ao longe aqui tão perto
    e vi um chão puro: algarves de ternura.
    Qaundo vieste tudo ficou certo
    e achei achando-te o País de Abril.


    Manuel Alegre


     

    " Senhor falta cumprir-se Portugal"

    Fernando Pessoa

     


     

    April 05

    3 poemas de Fernando Pessoa

     
     
     

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    Autopsicografia
                                       
    O poeta é um fingidor.
    Finge tão completamente
    Que chega a fingir que é dor
    A dor que deveras sente.

    E os que lêem o que escreve,
    Na dor lida sentem bem,
    Não as duas que ele teve,
    Mas só a que eles não têm.

    E assim nas calhas de roda
    Gira, a entreter a razão,
    Esse comboio de corda
    Que se chama coração.

    Tabacaria 
     

    Não sou nada.
    Nunca serei nada.
    Não posso querer ser nada.
    À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

    Janelas do meu quarto,
    Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
    (E se soubessem quem é, o que saberiam?),
    Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
    Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
    Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
    Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
    Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
    Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

    Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
    Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
    E não tivesse mais irmandade com as coisas
    Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
    A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
    De dentro da minha cabeça,
    E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

    Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
    Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
    À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
    E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

    Falhei em tudo.
    Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
    A aprendizagem que me deram,
    Desci dela pela janela das traseiras da casa.
    Fui até ao campo com grandes propósitos.
    Mas lá encontrei só ervas e árvores,
    E quando havia gente era igual à outra.
    Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

    Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
    Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
    E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
    Gênio? Neste momento
    Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
    E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
    Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
    Não, não creio em mim.
    Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
    Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
    Não, nem em mim...
    Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
    Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
    Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas —
    Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas —,
    E quem sabe se realizáveis,
    Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
    O mundo é para quem nasce para o conquistar
    E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
    Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
    Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
    Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
    Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
    Ainda que não more nela;
    Serei sempre o que não nasceu para isso;
    Serei sempre só o que tinha qualidades;
    Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma sem
    Porta
    E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
    E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
    Crer em mim? Não, nem em nada.
    Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
    O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
    E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
    Escravos cardíacos das estrelas,
    Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
    Mas acordamos e ele é opaco,
    Levantamo-nos e ele é alheio,
    Saímos de casa e ele é a terra inteira,
    Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

    (Come chocolates, pequena;
    Come chocolates!
    Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
    Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
    Come, pequena suja, come!
    Pudesse eu comer chocolates coma mesma verdade com que comes!
    Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
    Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

    Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
    A caligrafia rápida destes versos,
    Pórtico partido para o Impossível.
    Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
    Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
    A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
    E fico em casa sem camisa.

    (Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
    Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
    Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
    Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
    Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
    Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
    Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê —
    Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
    Meu coração é um balde despejado.
    Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
    A mim mesmo e não encontro nada.
    Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
    Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
    Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
    Vejo os cães que também existem,
    E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
    E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

    Vivi, estudei, amei e até cri,
    E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
    Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
    E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
    (Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
    Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
    E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

    Fiz de mim o que não soube
    E o que podia fazer de mim não o fiz.
    O dominó que vesti era errado.
    Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
    Quando quis tirar a máscara,
    Estava pegada à cara.
    Quando a tirei e me vi ao espelho,
    Já tinha envelhecido.
    Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
    Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
    Como um cão tolerado pela gerência
    Por ser inofensivo
    E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

    Essência musical dos meus versos inúteis,
    Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
    E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
    Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
    Como um tapete em que um bêbado tropeça
    Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

    Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
    Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
    E com o desconforto da alma mal-entendendo.
    Ele morrerá e eu morrerei.
    Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
    A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
    Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
    E a língua em que foram escritos os versos.
    Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
    Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
    Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como
    Tabuletas
    Sempre uma coisa defronte da outra,
    Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
    Sempre o impossível tão estúpido como o real,
    Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
    Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

    Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
    E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
    Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
    E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

    Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
    E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
    Sigo o fumo como uma rota própria,
    E gozo, num momento sensitivo e competente,
    A libertação de todas as especulações
    E a consciência de que a metafísica é uma conseqüência de estar mal disposto.

    Depois deito-me para trás na cadeira
    E continuo fumando.
    Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

    (Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
    Talvez fosse feliz.)
    Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
    O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
    Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.

    (O Dono da Tabacaria chegou à porta.)

    Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
    Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo

    Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.
     

    Álvaro de Campos

     

          Um dia a maioria de nós irá separar-se.
          Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que partilhamos.

          Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das vésperas dos finais de semana, dos finais de ano, enfim... Do companheirismo vivido.

          Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
          Hoje não tenho mais tanta certeza disso.

          Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum desentendimento, segue a sua vida. Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nas cartas que trocaremos.
          Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices...

          Aí, os dias vão passar, meses... anos... até este contacto se tornar cada vez mais raro.

          Vamo-nos perder no tempo....
          Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão: "Quem são aquelas pessoas?"
          Diremos...que eram nossos amigos e...... Isso vai doer tanto!

          -"Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!"

          A saudade vai apertar bem dentro do peito.
          Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente......
          Quando o nosso grupo estiver incompleto...
          Reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo.
          E, entre lágrima abraçar-nos-emos.
          Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante.

          Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida, isolada do passado.

          E perder-nos-emos no tempo.....
          Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades....

          Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os
          Meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!"


          "Fernando Pessoa "  

       


     

    March 25

    As Baleias

     
     

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    As Baleias

    Não é possivel que voce suporte a barra
    De olhar nos olhos do que morre em suas mãos
    E ver no mar se debater o sofrimento
    E até sentir-se um vencedor neste momento

     

    Não é possivel que no fundo do seu peito
    Seu coração não tenha lágrimas guardadas
    Pra derramar sobre o vermelho derramado
    No azul das águas que voce deixou manchadas

     

    Seus netos vão te perguntar em poucos anos
    Pelas baleias que cruzavam oceanos
    Que eles viram em velhos livros

     

    Ou nos filmes dos arquivos
    Dos programas vespertinos de televisão

     

    O gosto amargo do silêncio em sua boca
    Vai te levar de volta ao mar e a fúria louca
    De uma cauda exposta aos ventos

     

    Em seus últimos momentos
    Relembrada num troféu em forma de arpão

     

    Como é possível que voce tenha coragem
    De não deixar nascer a vida que se faz
    Em outra vida que sem ter lugar seguro
    Te pede a chance de existência no futuro

     

    Mudar seu rumo e procurar seus sentimentos
    Vai te fazer um verdadeiro vencedor
    Ainda é tempo de ouvir a voz dos ventos

     

    Roberto Carlos / Erasmo Carlos

     

     
     

     

     Ganda Pinta

    March 09

    Homenagem a Aristides Sousa Mendes

    Homenagem  a Aristides Sousa Mendes

     

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    Num pais com tantos vultos "imortais"choca saber
    que logo o maior vulto não é conhecido bem pelos
    portugueses, é mais conhecido no estrangeiro que
    em Portuga, um diplomata que não conhecendo
    xenofobia, a sua unica causa era a consciencia,
    não olhando a sexos, credos ou condição social
    salvou da morte certas cerca de 30.000mil pessoas,
    morreu na miseria, abandonado pelos outrora amigos
    alimentado na cozinha economica judaica, os
    próprios filhos tiveram q imigrar pois foram
    perseguidos pelo anterior regime, impedidos de
    arranjar trabalho fosse onde fosse.

     

    Os homens são do tamanho dos valores que defendem.
    Aristides de Sousa Mendes foi, talvez por isso,
    um dos poucos heróis nacionais do século XX e o
    maior símbolo português saído da II Guerra Mundial.
    Em 1940, quando era cônsul em Bordéus,
    protagonizou a "desobediência justa". Não acatou
    a proibição de Salazar de se passarem vistos a
    refugiados: transgrediu e passou 30 mil, sobretudo
    a judeus. Foi demitido compulsivamente. A sua vida
    estilhaçou-se por completo. "É o herói vulgar.
    Não estava preso a causas. Estava preso a uma
    questão fundamental: a sua consciência"

     

     

    Aristides de Sousa Mendes foi o "Schindler português"
    muito antes de o alemão começar a sua actividade
    humanitária em prol dos judeus. Atendendo à verdade
    histórica, Oskar Schindler é que foi o Aristides
    alemão. De uma coisa ninguém tem dúvidas:
    Aristides de Sousa Mendes é um dos maiores símbolos
    nacionais da II Guerra Mundial. Foi o homem como
    metáfora do humanismo. Em 1940, Aristides era cônsul
    de Portugal em Bordéus e, indo contra uma directiva
    expressa de Salazar para não se concederem vistos a
    refugiados que quisessem atravessar a França para
    chegar a Portugal, desobedeceu e passou 30 mil
    vistos. "Na vida de cada pessoa há uma ou outra
    oportunidade para se revelar, para mostrar aquilo
    em que acredita e levar isso até às últimas
    consequências", diz D. Manuel Clemente, bispo
    auxiliar de Lisboa. "Ele revelou um sentido de
    rasgo, um sentido de risco."


    No século XX português não há outra figura que
    tenha mudado tanto - objectiva e materialmente -
    a vida de milhares pessoas. "Ele representa a
    desobediência justa", refere António Costa Pinto,
    historiador e professor do Instituto de Ciências
    Sociais. "É o exemplo de solidariedade. A sua
    figura é muito associada ao humanismo do século XX."

     

    No momento crucial da vida na Europa e no mundo,
    Aristides de Sousa Mendes foi capaz de distinguir
    o essencial do acessório. "Percebeu que não poderia
    ficar indiferente à sorte de milhares de pessoas
    que foram aparecendo no Consulado de Portugal em
    Bordéus", diz José de Sousa Mendes,
    sobrinho de Aristides.

     

    Nascido numa abastada família de antigos fidalgos
    de província, de Cabanas de Viriato, perto de Viseu,
    Aristides e o irmão gémeo cursam Direito em Coimbra
    e seguem a carreira diplomática. Perseguido pelo
    regime sidonista e a I República em geral, após o
    golpe de 28 de Maio de 1926 é colocado em Vigo,
    num posto prestigiante e de confiança. A seguir é
    transferido para Antuérpia, outro posto de
    confiança, onde ficará nove anos. Com 50 anos é
    o decano do corpo diplomático.

    Em 1938, após Salazar recusar o seu pedido para
    permanecer na Bélgica, é colocado em Bordéus.
    Em 1939, com o rebentar da II Guerra Mundial e,
    em 1940, devido à invasão da França pelas tropas
    alemãs, milhares de refugiados fogem para sul.
    Os jardins do Consulado e as ruas vizinhas
    servem de local de acampamento a milhares de
    pessoas, das mais variadas nacionalidades,
    sobretudo judeus, que fogem da perseguição
    nazi, mas também gente que foge somente da
    guerra.

     

    Com a proibição de Salazar - que além de
    presidente do Conselho de Ministros era
    ministro dos Negócios Estrangeiros - de se
    passarem vistos a refugiados, sobretudo a
    "israelitas", Aristides de Sousa Mendes segue
    a sua formação humanista e católica e
    desobedece. Passa (com dois dos seus filhos
    mais velhos) milhares e milhares de vistos
    àqueles fugitivos, entre os dias 17 e 19 de
    Junho de 1940. Terão sido passados cerca de
    30 mil, nesses escassos dias. "Concede vistos
    sem olhar a nacionalidades, etnias ou religiões.


    Graças a ele, Portugal ficou na história como
    um país que apoiou os refugiados durante a II
    Guerra Mundial", lembra a historiadora Irene
    Pimentel. "Aristides marca de forma indelével
    a história de Portugal porque permitiu
    reconciliar-nos com a nossa dignidade. Mais
    do que qualquer outra pessoa da sua época,
    dignificou o que era ser-se humano e ser-se
    português", diz Fernando Nobre, presidente
    da Fundação AMI.

     

    O mais atraente na história de Aristides de
    Sousa Mendes é ele ser uma espécie de herói
    vulgar, que está preso "apenas" à sua
    consciência. Quando se deu a ocupação do
    Consulado, fechou-se num quarto para reflectir
    o que deveria fazer. Numa alucinante inquietação,
    ficou apenas ele e o seu dilema: respeitaria
    as ordens superiores - o que, aliás, havia
    feito toda a vida - ou responderia à sua
    consciência? "Aristides de Sousa Mendes era
    um homem vulgar, um funcionário ordeiro, com
    mais de 50 anos e 12 filhos, que nunca se
    tinha oposto ao regime ditatorial existente
    em Portugal", conta o jornalista Ferreira
    Fernandes. "Mas naquela hora respondeu à sua
    consciência. E isso foi extraordinário."

     

    Continuando a desobedecer às ordens superiores,
    provou que não tinha vocação de capacho. Pela
    inacção dos colegas de Bayonne e de Hendaye,
    desloca-se a estas cidades nos dias seguintes
    e ele próprio emite mais alguns milhares de
    vistos. "Segue a sua consciência humanista
    universal", refere Medeiros Ferreira, historiador
    e professor universitário. "Opta nitidamente
    pela desobediência civil. Opta por salvar
    aquelas milhares de pessoas que estavam nas
    escadarias do Consulado à espera de um
    visto salvador."

     
    Alberga no seu palácio de Cabanas de Viriato
    muitas famílias de refugiados, hipotecando para
    o efeito todo o recheio. Já na miséria, é
    auxiliado pela Comunidade Israelita de Lisboa
    a partir de 1941, sendo muitos dos seus filhos
    chamados por aqueles que haviam sido salvos,
    sobretudo a partir dos Estados Unidos e do
    Canadá. "Aquilo que mais admiro foi a
    capacidade de ter aguentado a vida nos
    quase 14 anos que se seguiram àquele
    acontecimento", sublinha José de Sousa Mendes.
    "O seu mundo desabou totalmente."

     

    Em 1945, terminada a Guerra, tendo feito uma
    exposição para tentativa de reapreciação do
    seu processo, não recebe resposta. A situação
    de miséria agrava-se. Em 3 de Abril de 1954
    morre, no Hospital da Ordem Terceira,
    em Lisboa, desonrado e sozinho
    (os filhos já tinham todos emigrado para a
    América), acompanhado apenas por uma sobrinha.

      

    Ainda hoje a figura de Aristides de Sousa
    Mendes é controversa. "A nível da diplomacia,
    há quem diga que o dever de obediência deveria
    estar acima da sua atitude humanitária",
    conta Irene Pimentel. "Eu acho que não.
    É precisamente nestas alturas que se vê a
    postura dos seres humanos." Pormenor importante:
    por incrível que pareça, Aristides de Sousa
    Mendes só foi reabilitado nos anos
    80 do século XX - e muito por pressão exterior.
    Foi primeiro elogiado nos Estados Unidos e
    em Israel. É considerado o justo entre os justos.

     

    "Em 1987, reencontrei um dos filhos dele que
    emigrou para o Canadá, numa homenagem a
    Aristides, na Alameda dos Justos, em Jerusalém,
    onde há uma árvore dedicada a cada um dos
    justos que ajudou os judeus durante a guerra.
    Fomos convidados para regar essa árvore", conta,
    emocionado, José de Sousa Mendes. "Aristides
    não tem um monumento em Portugal. Mais do que
    um monumento, deveria haver simplesmente uma
    lei que dissesse: 'A nuvem - aquela coisa
    efémera -, a nuvem mais bonita em Portugal,
    todos os dias, deveria
    chamar-se Aristides de Sousa Mendes'"

     

      

     

     

    February 27

    Caderno-Toquinho

     
     
     

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    CADERNO
    - TOQUINHO –
     

     

    Sou eu que vou seguir você
    do primeiro rabisco até o be-a-bá.

    Em todos os desenhos coloridos vou estar:

    a casa, a montanha, duas nuvens no céu
    e um sol a sorrir no papel.

     

     

    Sou eu que vou ser seu colega,
    seus problemas ajudar a resolver.
    Te acompanhar nas provas bimestrais,você vai ver.

    Serei de você confidente fiel,
    se seu pranto molhar meu papel.
    Sou eu que vou ser seu amigo,
    vou lhe dar abrigo, se você quiser.
    Quando surgirem seus primeiros raios de mulher.
    A vida se abrirá num feroz carrossel
    E você vai rasgar meu papel.

     

    O que está escrito em mim
    comigo ficará guardado, se lhe dá prazer.
    A vida segue sempre em frente, o que se há de fazer.

     

    Só peço a você um favor, se puder:
    não me esqueça num canto qualquer.

     

     

    0001re73

     

     

     

     

     

     

    February 17

    Parabens Marta

     
     
     

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    No mês em que a minha filha mais nova faz 22 anos,

    um poema dela em sua homenagem.

     

    "Nada que é feito com amor, é pequeno ou sem valor"

     

    "O rio somente alcança os seus objectivos porque aprendeu a superar

    os obstaculos, sê como ele e terás sucesso garantido"

    Parabéns meu amor

     

    February 08

    Ser forte...

     
     
     

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    Ser forte...

     

    Ser forte
    é amar alguém em silêncio.
     
     
    Ser forte é irradiar felicidade quando se é infeliz.
     
     
    Ser forte é tentar perdoar alguém que não merece perdão.
     
     
    Ser forte é esperar quando não se acredita no retorno.
     
     
    Ser forte é manter-se calmo no momento de desespero.
     
     
    Ser forte é demonstrar alegria quando não se sente.

     
    Ser forte é sorrir quando se deseja chorar.
     
     
    Ser forte é fazer alguém feliz quando se tem o coração em pedaços.
     
     
    Ser forte é calar quando o ideal seria gritar à todos a sua angústia.
     
     
    Ser forte é consolar quando se precisa de consolo.
     
     
    Ser forte é ter fé naquilo que não se acredita.
     
     
    Por isso, mesmo diante da dura realidade e por mais difícil que a  vida possa parecer: Ame-a e seja Forte! 
     
    Autor Desconhecido.
     

    Em tempo de referendo em Portugal sobre  a  IVG.

    A função e o órgão

    A deputada Natália Correia, escreveu e distribuiu no hemiciclo o poema que abaixo se transcreve, dedicado pela autora ao seu colega João Morgado. Este parlamentar do CDS afirmara, numa intervenção sobre a questão do aborto, que o acto sexual só é justificável tendo o objectivo a procriação.

    Dedicado ao deputado João Morgado

    Já que o coito - diz o Morgado
    Tem como fim cristalino
    Preciso e imaculado
    Fazer menina e menino,
    E cada vez que o varão
    Sexual petisco manduca
    Temos na procriação
    Prova que houve truca-truca.
    Sendo pai de um só rebento
    Lógica é a conclusão
    De que o viril instrumento
    Só usou - parca ração! -
    Uma vez. E se a função
    Faz o órgão - diz o ditado -
    Consumada essa operação
    Ficou capado o Morgado.

    Natália Correia

     

     

    January 28

    Tem coisa Melhor

     
     
     

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    Tem coisa Melhor

    Se apaixonar pela pessoa certa e ser correspondido.
     
     
    Rir a ponto de não agüentar mais.
     
     
     
    Um banho quente num dia de muito frio.
     
     
     
    Aquela encarada de fazer tremer.
     
     
     
    Compras sem limites num supermercado.
     
     
     
    Receber e-mail de alguém que você gosta e que não manda nunca.
     
     
     
    Guiar por um lindo caminho.
     
     
     
    Escutar sua musica favorita tocar no radio.
     
     
     
    Pegar aquela chuva de verão e dar um beijo na chuva.
     
     
     
    Cheiro de terra molhada.
     
     
     
    Tomar aquele banho e dormir na sua própria cama depois de acampar durante 4 dias.
     
     
     
    Um milkshake de chocolate.
     
     
     
    Toalhas ainda quentes, recém passadas.
     
     
     
    Um telefonema de alguém que está distante.
     
     
     
    Rir com os amigos.
     
     
     
    Banho de espuma.
     
     
     
    Praia
     
     
     
    Amigos.
     
     
     
    Risadinhas de bebê.
     
     
     
    Acordar e descobrir que ainda pode dormir por mais algumas horas.
     
     
     
    O primeiro beijo.
     
     
     
    Brincar com o novo bichinho de estimação.
     
     
     
     
    Ver a expressão no rosto de alguém quando abre o seu tão esperado presente.
     
     
     
     
     
    Brincar na água.
     
     
     
     
     
    Chorar.
     
     
     
    Espreguiçar.
     
     
     
    Ter alguém para lhe dizer o quanto você é especial.
     
     
     
     
    Andar de mãos dadas.
     
     
     
    Jardim.
     
     
     
    Colo da mãe.
     
     
     
    A Terra.
     
     
     
    Pôr do sol.
     
     
     Frutas frescas.
     
     
     Ter a certeza de contar
    com uma ajuda superior.
     
     
     
    Ter uma idéia brilhante.
     
     
     
    Ler.
     
     
     
     
    Não se importar com o que os outros pensam de você.
     
     
     
    Pezinho de bebê.
     
     
     
     
    Fazer bolo de chocolate e raspar a panela
    de calda.
     
     
     
     
    Balançar naqueles balanços
    de parquinho.
     
     
     
     
    Encontrar uma joaninha depois de passar anos
    sem ver estes bichinhos incríveis.
     
     
     
     
    Cheirinho de protetor solar
    que sempre nos faz
     lembrar da praia.
     
     
     
     
    Perceber que passe o tempo que for,
    algumas coisas simplesmente não mudam.
     
     
     
     
     
     
    Crescer.
     
     
     
     
     
     
    Ver um sonho se tornar realidade.
     
     
     
     
     
    Superar as expectativas.
     
     
     
     
      
    Acreditar em todas essas pequenas coisas e ter a certeza
    de que o melhor da vida ainda está por vir!
     
    Mas o melhor de tudo é ter a vossa atenção e amizade.
     
     
     

     
     

     

     

    January 18

    Saudades

     
     
     

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    January 08

    Doação de Orgãos

     

     
     
     

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    PAPAI...O quanto me amas?

    No dia que nasceu nossa filha,
    meu marido, não sentiu grande alegria.
    Por que a decepção que sentia,
    parecia ser maior do que o grande
    conhecimento em ter uma filha.

    Ah !!!
    Eu queria um filho homem !!!
    Lamentava !!!

    Em poucos meses ele se deixou cativar
    pelo sorriso de nossa linda filha e
    pela infinita inocência de seu olhar
    fixo e penetrante, foi então que ele
    começou a amá-la com loucura.

    Seu rostinho, seu sorriso
    não se apartavam mais dele.
    Ele fazia planos sobre planos,
    tudo seria para nossa filhinha !

    Numa tarde estávamos reunidos
    em família, quando nossa filha
    perguntou a seu
    pai:
    Papi,... Quando eu completar
    quinze anos, qual será meu presente?



    Ele lhe respondeu:
    Meu amor, você tem apenas
    sete aninhos, não lhe parece
    que falta muito tempo
    para essa data?

    Ela lhe respondeu:
    Bem papi,... tu sempre dizes
    que o tempo passa voando,
    ainda que eu nunca o
    haja visto por aqui.

    Ela já tinha quatorze anos e
    ocupava toda a alegria da casa,
    especialmente o
    coração de seu papi.


    Num Domingo passeando,
    ela tropeçou, e seu pai
    de imediato agarrou-a para
    que não caisse...
    Sentados, vimos como ela
    foi caindo lentamente e
    quase perdeu a conciência.


    Seu pai levantou-a e a levou
    imediatamente para o hospital.
    Alí permaneceu por dez dias e
    foi então que nos informaram
    que ela padecia de uma grave
    enfermidade que afetava
    seriamente seu coração.

    Os dias foram passando, seu pai
    renunciou a seu trabalho para
    dedicar-se a ela.
    Todavia, sua mãe, decidiu
    trabalhar, pois não suportava
    vê-la sofrendo tanto.


    Numa manhã, ainda na cama,
    nossa filha perguntou a seu papi:
    Papi ?
    Os médicos te disseram que eu
    vou morrer ?

    Respondeu seu pai:
    Não meu amor... não vais morrer,
    Deus que é tão grande, que não
    permitiria que eu perca o que mais
    tenho amado neste mundo.

    Quando a gente morre vai para
    algum lugar?
    Podem ver lá de cima sua família?
    Sabes se um dia podem voltar?


    Bem filha,...
    na verdade ninguém regressou
    de lá e contou algo sôbre isso,
    porém se eu morrer, não te
    deixarei só, onde eu estiver
    buscarei uma maneira de me
    comunicar contigo, e em última
    instância utilizaria o vento
    para te ver.

    O vento?
    E como você faria?

    Não tenho a menor idéia filhinha,
    só sei que se algum dia eu morrer,
    sentirás que estou contigo,
    quando um suave vento roçar teu
    rosto e uma brisa fresca beijar
    tua face.


    Nesse mesmo dia à tarde,
    fomos informado pelos médicos
    que nossa filhinha
    necessitava de um transplante
    de coração, pois do contrário
    ela só teria
    mais vinte dias de vida.

    UM CORAÇÃO! ONDE CONSEGUIR UM
    CORAÇÃO?
    UM CORAÇÃO! ONDE, DEUS MEU?

    Nesse mesmo mês,ela completaria
    seus quinze anos.
    E foi numa sexta-feira á tarde
    quando conseguiram um doador.
    Foi operada e tudo saiu bem.

    Ela permaneceu no hospital por
    quinze dias e em nenhuma vez
    seu pai foi visitá-la.
    Todavia, os médicos lhe deram
    alta e ela foi para sua casa.



    Ao chegar em casa com ansiedade
    ela gritou:
    Papi! Papi!... Onde tu estás?

    Sua mãe saiu do quarto com os
    olhos molhados de lágrimas e
    disse-lhe:
    - Aquí está uma carta que seu
    papi deixou para você.

    "Filhinha do meu coração:
    No momento em que ler minha
    carta, já deverás ter quinze
    anos e um coração
    forte batendo em teu peito,
    essa foi a promessa que me
    fizeram os médicos
    que te operaram.


    Não podes imaginar nem
    remotamente quanto lamento
    não estar a teu lado.
    Quando soube que morrerias,
    decidí dar-te a resposta da
    pergunta que me
    fizeste quando tinhas
    sete aninhos e a qual não
    pude responder.
    Decidí dar-te o presente mais
    bonito que ninguém jamais
    faria por minha filha...


    Te dou de presente minha vida
    inteira sem nenhuma condição,
    para que faças
    com ela o que queiras.
    Viva filha!!
    Te amo com todo meu coração!!


    Foi quando ela chorou por
    todo o dia e toda a noite.
    No dia seguinte foi ao
    cemitério e sentou-se
    sobre o túmulo de seu papi;
    chorou tanto como ninguém
    poderia chorar.
    e sussurrou:


    "Papi,... agora posso
    compreender quanto me amavas.
    eu também te amava e
    ainda que nunca tenha dito,
    agora compreendo a importância
    de dizer: "Te
    Amo" e te pediria perdão por
    haver guardado silêncio
    tantas vezes ".



    Nesse instante as copas das
    árvores balançavam suavemente,
    cairam algumas
    folhas e florzinhas, e uma
    suave brisa roçou a face de
    nossa filhinha, que
    olhou para o céu, tentou
    enxugar as lágrimas de seu
    rosto, se levantou e
    voltou para casa.



    Se esta mensagem tocou teu
    coração, envia a teus melhores
    amigos como sinal
    de tua amizade, neste momento
    que eu estou a chorar,
    decidí compartilhar
    contigo e dizer-te.



    Por favor, jamais deixes
    de dizer:
    "TE AMO"
    Jamais saberás se esta
    será a última vez....


     

     

     

     

    E lembre-se que os seus orgãos
    podem ainda servir, quando você
    já não precisa deles.
    DAR ORGÃOS É DAR AMOR

     

      

     

     

     

     

    December 23

    Um Natal de Amor e Paz para todos

     
     

     
     

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    A todos os meus amigos,

    reais e virtuais os meus
    mais sinceros desejos de um Natal Feliz cheio
    de coisas boas, aos meus menos amigos, a eles
    também lhes desejo Um Natal Feliz,
    porquê afinal Natal é Amor.

     

     

     

     

     

    Há muito, muito tempo, viveu um homem muito grande e forte mas também muito velhinho. As barbas brancas quase lhe tocavam no peito e o seu cabelo comprido estava em desalinho.
        Um dia, Nicolau - assim se chamava ele -  sentou-se ao pé da janela a meditar. A certa altura, olhou através da vidraça: lá fora nevava. Era Inverno! Os vários pinheiros do seu jardim estavam cobertos de um manto espesso e branco. Porém, umas pegadas na neve despertaram-lhe a atenção. Um pouco mais adiante, estava um mendigo. Esse pobre homem, que era um sem-abrigo, estava mal agasalhado, descalço e sozinho.

     

     

     Noel, que tinha um coração de ouro, abriu a janela e chamou-o:
    - Vem cá, homem! Onde é a tua casa?

    - Ah! A minha casa?! Eu não tenho casa.

    - E a tua família?
    - Oh! Esses…nunca os conheci. Vivia com a minha avó, mas ontem ela morreu, não aguentou o frio deste Inverno…
    - Meu Deus! Mas, que vida tão triste a tua! E agora?! Com quem vives? Sozinho?
    - Sim, agora vivo sozinho.
    - Mas…  e ... e não tens frio, mal agasalhado e descalço? Bem que precisas de um par de sapatos, de uma camisola e de um casaco! Vou pedir à minha mulher que te faça uma camisola e vou fazer-te eu próprio um par de sapatos! E sabes que mais? Se quiseres colaborar comigo!
    - Oh! Muito obrigado, senhor. Que devo fazer para colaborar consigo?

     

     

    - Eu vou explicar tudo: a minha mulher andava a dizer-me que eu precisava de um trabalho para me entreter. Eu fiquei um bocado confuso: como poderia eu arranjar um emprego de um dia para o outro? E então, quando te vi,  lembrei-me imediatamente de um bom passatempo para nós os dois! E até fazíamos uma boa acção e tudo! A minha ideia era construirmos uma fábrica de brinquedos onde trabalharíamos todo o ano para obtermos os melhores e mais bonitos presentes para oferecermos aos meninos bem comportados no final do ano. Podíamos também dar um nome à data de entregar as prendas. Hummm, pode ser NATAL, em honra da minha mulher Natália.
      

     

     

    - O senhor, isto é, o Nicolau tem ideias fabulosas! Para mim o senhor é um verdadeiro santo!
       - Oh! Oh! Oh! Não sou nada! Sou apenas o Pai Natal! É um bom nome para quem inventa o NATAL!  No NATAL, todas as prendas devem estar prontas. Treinarei as minhas renas para grandes viagens, prepararei o meu trenó e… já me estou a ver a cruzar os céus!!!!! Só tu poderás estar comigo no trenó, para levares o saco com as prendas!
        - Mas, Pai Natal, quando é que vai ser o NATAL?
        - Oh! Meu Deus! Não tinha pensado nisso! Mas, até pode ser no dia em que nasceu Jesus! Ele ficaria orgulhoso de nós! Portanto o NATAL é no dia 25 de Dezembro! É verdade, como te chamas meu amigo?
        - Chamo-me Cristóvão.
        - Muito bem, Cristóvão, vamos já contar tudo à minha mulher!


       

     

     

    Natália ficou encantada com a ideia do marido e prontificou-se logo a chamar todos os duendes empregados para ajudarem na construção da fábrica. Estes adoraram a ideia de passar a trabalhar numa fábrica e empenharam-se mais que nunca na sua construção. Em menos de cinco dias a fábrica estava pronta!
         Naquele ano todos os duendes tiveram de trabalhar em velocidade máxima, pois o NATAL estava à porta! Todos os dias a fábrica de brinquedos do Pai Natal recebia dezenas de cartas de todos os meninos e meninas do mundo, a encomendarem os seus presentes de NATAL. A todas as cartas o Pai Natal respondia dizendo que se portassem bem.
         E o prometido é devido: os duendes carregaram as prendas até ao trenó e Cristóvão pô-las no grande saco do Pai Natal.
    À meia-noite em ponto, o trenó cruzava o céu puxado pelas renas, carregando o saco dos presentes, o Pai Natal, e, claro, Cristóvão!
    Ainda hoje, sempre que é a noite de Natal, podemos ver o grande trenó com o Pai Natal e Cristóvão, se olharmos para o céu à meia-noite em ponto …
     

    Ana Onofre, 11 anos, Cartaxo

     
     

    December 14

    O jogo das manias

     
     
     
     

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    Fui convidado por 3 amigas minhas, a participar nesta corrente,

    normalmente não aceito correntes,

    mas há sempre um primeiro dia para tudo.

    Então aqui vão as minhas "manias.

    As minha manias, são as coisas q eu gosto.

    1ª As pessoas q me estão mais proximas, a familia,a namorada,

    os amigos.

    2ª Adoro fumar, e dormir,seja a q horas for.

    3ª Gosto de beber o meu copo, com os amigos.

    4ª Adoro o meu blog.

     

                                            

                                            

     

    5ª Adoro viajar, sol e praia.

    Desafio das Manias

    Regulamento :
    Cada bloguista participante tem de enumerar 5 manias suas,
    hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais.
    E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades,
    tem de escolher 5 outros bloguistas para entrarem,
    igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos
    respectivos blogues aviso do "recrutamento". Cada participante deve
    reproduzir este "regulamento" no seu blog.
     
    Não levo a mal se não aceitarem a participação,
    mas já agora se puderem participem:)
    Claudinha
    Lydia
     
     
     
    December 05

    Che Guevara

     

     

     

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    Nascido em 14 de junho de 1928 na cidade de Rosário,
    Guevara foi o primeiro dos cincos filhos do casal
    Ernesto Lynch e Celia de la Serna y Llosa.
    Sua mãe foi a principal responsável por sua formação
    porque, mesmo sendo católica, mantinha em casa um
    ambiente de esquerda e sempre estava cercada por
    mulheres politizadas.
    Desde pequeno, Ernestito - como era chamado -
    sofria ataques de asma e por essa razão,
    aos 12 anos, se mudou com a família para as serras
    de Córdoba, onde morou perto de uma favela.
    A discriminação para com os mais pobres era
    comum à classe média argentina, porém Che não se
    importava e fez várias amizades com os favelados.
    Estudou grande parte do ensino fundamental
    em casa com sua mãe. Na biblioteca de sua
    casa - que reunia cerca de 3000 livros -
    havia obras de Marx, Engels e Lenin,
    com os quais se familiarizou em sua
    adolescência.

     

     

    "Hasta la vitória, siempre!"

     

     

    "Acima de tudo procurem sentir no mais profundo de vocês qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. É a mais bela qualidade de um Revolucionário."

     

    Em 1947, Ernesto entra na Faculdade
    de Medicina da Universidade de
    Buenos Aires, motivado em primeiro
    lugar por sua própria doença,
    desenvolvendo logo um especial
    interesse pela lepra. Em 1952,
    realiza uma longa jornada pela
    América do Sul com o melhor amigo,
    Alberto Granado, percorrendo 10.000
    km em uma moto Norton 500, apelidada
    de 'La Poderosa'. Observam, se
    interessam por tudo, analisam a
    realidade com olho crítico e
    pensamento profundo. Os oito meses
    dessa viagem marcam a ruptura de
    Guevara com os laços nacionalistas
    e dela se origina um diário. Aliás,
    escrever diários torna-se um hábito
    para o argentino, cultivado
    até a sua morte.

     

     

    "Os poderosos podem matar uma, duas até três rosas, mas nunca deterão a primavera."

     

     

    "Não há fronteiras nesta luta de morte, nem vamos permanecer indiferentes perante o que aconteça em qualquer parte do mundo. A vitória nossa ou a derrota de qualquer nação do mundo, é a derrota de todos."

    "O verdadeiro revolucionário é guiado por grandes sentimentos de generosidade; é impossível imaginar um revolucionário autêntico sem esta qualidade".

     

    No Peru, trabalhou com leprosos e resolveu
    se tornar um especialista no tratamento
    da doença. Che saiu dessa viagem chocado
    com a pobreza e a injustiça social que
    encontrou ao longo do caminho e se
    identificou com a luta dos camponeses por
    uma vida melhor. Mais tarde voltou à
    Argentina onde completou seus estudos em
    medicina. Foi convocado para o exército,
    porém, no momento estava incompatibilizado
    com a ideologia peronista. Não admitia ter
    de defender um governo autoritário.
    Portanto, no dia da inspeção médica,
    tomou um banho gelado antes de sair de
    casa e na hora do exame teve um ataque de
    asma. Foi considerado inapto e dispensado.


     

     

    "Nossos filhos devem possuir as mesmas coisas que as outras crianças, mas eles devem também ser privados daquilo que falta às outras crianças".

    "Vale milhões de vezes mais a vida de um único ser humano do que todas as propriedades do homem mais rico da terra".

    "Não nego a necessidade objetiva do estímulo material, mas sou contrário a utilizá-lo como alavanca impulsora fundamental. Porque então ela termina por impor sua própria força às relações entre os homens."

    "No momento em que for necessário, estarei disposto a entregar a minha vida pela liberdade de qualquer um dos países da América Latina, sem pedir nada a ninguém..."

    Já envolvido com a política, em 1953
    viajou para a Bolívia e depois seguiu
    para Guatemala com seu novo amigo
    Ricardo Rojo. Foi lá que Guevara
    conheceu sua futura esposa, a peruana
    Hilda Gadea Acosta e Ñico Lopez, que,
    futuramente, o apresentaria a
    Raúl Castro no México.
    Na Guatemala, Arbenz Guzmán, o
    presidente esquerdista moderado,
    comandava uma ousada reforma agrária.
    Porém, os EUA, descontentes com tal
    acto que tiraria terras improdutivas
    de suas empresas concedendo-as aos
    famintos camponeses, planejou um golpe
    bem sucedido colocando no governo uma
    ditadura militar manipulada pelos
    yankees. Che ficou inconformado com a
    facilidade norte-americana de dominar
    o país e com a apatia dos guatemaltecos.
    A partir desse momento, se convenceu da
    necessidade de tomar a iniciativa
    contra o cruel imperialismo.


     

     

     

     

    "O socialismo não é uma sociedade beneficente, não é um regime utópico, baseado na bondade do homem como homem. O socialismo é um regime a que se chega historicamente e que tem por base a socialização dos bens fundamentais de produção e a distribuição equitativa de todas as riquezas da sociedade, numa sitação de produção social. Isto é, a produção criada pelo capitalismo: as grandes fábricas, a grande pecuária capitalista, a grande agricultura capitalista, os locais onde o trabalho humano era feito em comunidade, em sociedade; mas naquela época o aproveitamento do fruto do trabalho era feito pelos capitalistas individialmente, pela classe exploradora, pelos proprietários jurídicos dos bens de produção."

    Com o clima tenso na Guatemala e perseguido
    pela ditadura, Che foi para o México.
    Alguns relatos dizem que corria risco de
    vida no território guatemalteco, mas essa
    ida ao México já estava planejada. Lá
    lecionava em uma universidade e trabalhava
    no Hospital Geral da Cidade do México,
    onde reencontrou Ñico Lopez, que o levou
    para conhecer Raúl Castro. Raúl, que se
    encontrava refugiado no México após a
    fracassada revolução em Cuba em 1953,
    se tornou rapidamente amigo de Che.
    Depois, Raúl apresentou Che a seu irmão
    mais velho Fidel que, do mesmo modo,
    tornou-se amigo instantaneamente.
    Tiveram a famosa conversa de uma noite
    inteira onde debateram sobre política
    mundial e, ao final, estava acertada a
    participação de Che no grupo revolucionário
    que tentaria tomar o poder em Cuba.

    A partir desse momento começaram a treinar
    táticas de guerrilha e operações de fuga e
    ataque. Em 25 de novembro de 1956 os
    revolucionários desembarcam em Cuba e se
    refugiam na Sierra Maestra, de onde
    comandam o exército rebelde na bem-sucedida
    guerrilha que derrubou o governo de
    Fulgêncio Batista. Depois da vitória,
    em 1959, Che torna-se cidadão cubano e vira
    o segundo homem mais poderoso de Cuba.
    Marxista-leninista convicto, é apontado por
    especialistas como o responsável pela
    adesão de Fidel ao bloco soviético e pelo
    confronto do novo governo com os
    Estados Unidos.


     

    "Eu creio que a primeira coisa que deve caracterizar um jovem comunista é a honra que se sente por ser jovem comunista. Essa honra que o leva a mostrar-se a toda gente na sua condição de ser comunista, que não o submete à clandestinidade, que o não reduz a fórmulas, mas que ele manifesta em cada momento que lhe sai do espírito, que tem interesse porque é o símbolo de seu orgulho.

    Junta-se a isso um grande sentido do dever para com a sociedade que estamos construindo, para com os nossos semelhantes como seres humanos e para com todos os homens do mundo.

    Isso é algo que deve caracterizar o jovem comunista. Paralelamente, uma grande sensibilidade a todos os problemas e uma grande sensibilidade em relação a justiça."

     

     

    Guevara queria levar o comunismo a toda
    a América Latina e acreditava
    apaixonadamente na necessidade do apoio
    cubano aos movimentos guerrilheiros da
    região e também da África. Da revolução
    em Cuba até sua morte, amargou três
    mal-sucedidas expedições guerrilheiras.
    A primeira na Argentina, em 1964,
    quando seu grupo foi descoberto e a
    maioria morta ou capturada. A segunda,
    um ano depois de fugir da Argentina,
    no antigo Congo Belga, mais tarde
    Zaire e atualmente República Democrática
    do Congo. E por fim na Bolívia,
    onde acabaria executado.



    Sem a barba e a boina tradicionais,
    disfarçado de economista uruguaio,
    Che Guevara entrou na Bolívia em
    novembro de 1966. A ele se juntaram
    50 guerrilheiros cubanos, bolivianos,
    argentinos e peruanos, numa base num
    deserto do Sudeste do país. Seu plano
    era treinar guerrilheiros de vários
    países para começar uma revolução
    continental.

    Guevara foi capturado em 8 de outubro
    de 1967. Passou a noite numa escola
    de La Higuera, a 50 quilômetros de
    Vallegrande, e, no dia seguinte,
    por ordem do presidente da Bolívia,
    general René Barrientos, foi executado
    com nove tiros numa escola na aldeia
    de La Higuera, no centro-sul da Bolívia,
    no dia seguinte à sua captura pelos
    rangers do Exército boliviano,
    treinados pelos Estados Unidos.

     

       

     

    Sua morte, no dia 9 de outubro de 1967,
    aos 39 anos, interrompeu o sonho de
    estender a Revolução Cubana à América
    Latina, mas não impediu que seus ideais
    continuassem a gozar de popularidade
    entre as esquerdas.

     

    Os boatos que cercaram a execução de
    Che Guevara levantaram dúvidas sobre a
    identidade do guerrilheiro.
    A confusão culminou no desaparecimento
    dos seus restos mortais, encontrados
    apenas em 1997, quando o mundo
    recordava os trinta anos de sua morte,
    sob o terreno do aeroporto de
    Vallegrande. O corpo estava sem as mãos,
    amputadas para reconhecimento poucos
    dias depois da morte, e contrabandeadas
    para Cuba.

     

     

     

     

     

     

     

    " Muitos dirão que sou aventureiro, e sou mesmo, só que de um
        tipo diferente, daqueles que entregam a própria pele para demonstrar
        suas verdades. "

     

     " Nós que, pelo império das circunstâncias, dirigimos
            a revolução, não somos donos da verdade, menos ainda
            de toda a sapiência do mundo. Temos que aprender todos
            os dias. No dia em que deixarmos de aprender, que acreditarmos
            saber tudo ou que tivermos perdido nossa capacidade de contato
            ou de intercâmbio com o povo e com a juventude, será o dia em que
            teremos deixado de ser revolucionários e, então, o melhor que
            vocês poderiam fazer seria jogar-nos fora..."

    Em 17 de outubro de 1997, Che foi
    enterrado com pompas na cidade cubana
    de Santa Clara (onde liderou uma
    batalha decisiva para a derrubada de
    Batista), com a presença da família
    e de Fidel. Embora seus ideais sejam
    românticos aos olhos de um mundo
    globalizado, ele se transformou num
    ícone na história das revoluções do
    século XX e num exemplo de coerência
    política. Sua morte determinou o
    nascimento de um mito, até hoje
    símbolo de resistência para os
    países latino-americanos.

    http://www.cheguevaradelaserna.hpgvip.ig.com.br/biografia.html

     

    "O importante não é justificar o erro, mas impedir que ele se repita."

     

     

    "Quando o extraodinário se torna cotidiano, é a revolução."

     

    November 25

    As Razões porque somos pela PAZ

     

     

     

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    As Razões porque somos pela PAZ

     

       

     

     

    PAZ 

     

    O MUNDO ESTÁ TODO EM GUERRA.
    O MUNDO ESTÁ DE LUTO.
     VAMOS CONVENCER MESMO AQUELES
    QUE NÃO QUEREM COMPREENDER.

    EXIGIMOS QUE NO NOSSO PLANETA
    A PAZ SE SOBREPONHA A TODAS AS COISAS.

     

    PARA QUE TODOS
    SEM DISTINÇÃO DE RAÇA, DE COR,
    DE RELIGIÃO OU DE NACIONALIDADE,

    POSSAM PARTICIPAR DESTA GRANDE
     PETIÇÃO PELA PAZ.

     

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    November 14

    Amizades são feitas de pedacinhos

     
     
     

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    Amizades são feitas de pedacinhos


    Amizades são feitas de pedacinhos.
    Pedacinhos de tempo 
    que vivemos com cada pessoa.
    Não importa a quantidade de tempo
    que passamos com cada amigo,
    mas a qualidade do tempo que vivemos

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    com cada pessoa.
    Cinco minutos podem ter uma
    importância muito maior do que um
    dia inteiro.

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    Assim, há amizades que são feitas de
    risos e dores compartilhados; outras
    de escola; outras de saídas, cinemas,
    diversões; há ainda aquelas que
    nascem e a gente nem sabe de quê,

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    mas que estão presentes.
    Talvez essas sejam feitas de
    silêncios compreendidos, ou de
    simpatia mútua sem explicação.
    Hoje em dia, muitas amizades     
    são feitas só de e-mails e  

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    essas não são menos importantes.    
    São as famosas "amizades virtuais".
    Diferentes até,                  
    mas não menos importantes.

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    Aprendemos a amar as pessoas
    sem que possamos julgá-las
    pela sua aparência ou modo de ser,
    sem que possamos (e fazemos isso

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    inconscientemente às vezes)
    etiquetá-las.
    Há amizades profundas        
    que são criadas assim.

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    Saint-Exupéry disse:
    "Foi o tempo que perdestes com tua
    rosa que fez tua rosa tão importante".

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    E eu digo que é o tempo que ganhamos
    com cada amigo que faz cada amigo
    tão importante.
    Porque tempo gasto com amigos
    é tempo ganho, aproveitado, vivido.
    São lembranças para cinco minutos
    depois ou anos até.

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    Um amigo se torna importante pra nós,
    e nós para ele, quando somos capazes, 
    mesmo na sua ausência, de rir ou
    chorar, de sentir saudade e nesse
    instante  trazer o outro
    bem pertinho da gente.

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    Dessa forma, podemos ter vários
    melhores amigos
    de diferentes maneiras.
    O importante é saber aproveitar o
    máximo cada minuto vivido e  ter
    depois no baú das recordações horas
    para passar com os amigos, mesmo
    quando estes estiverem longe dos
    nossos olhos.

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    Desenhos do Livro
    “O Pequeno Príncipe”
    De Antoine Saint Exupéri

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    November 03

    FOIE GRAS - A CRUEL REALIDADE

     

     

     

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    FOIE GRAS - A CRUEL REALIDADE

    Imagine que acabou de comer uma enorme refeição.
    Sente-se cheio, a transbordar.
    Logo a seguir é obrigado a repetir outra igual,
    não aguenta mais. Mas a seguir vem outra igual
    e depois outra... Sente-se inchado, a rebentar.
    A agonia é tremenda, não consegue mexer-se e
    muito dificilmente consegue respirar.
    Este é o terrível tratamento por que passam os
    patos e os gansos para a produção
    do patê de foie gras.

         


    O foie gras é o fígado inchado destes
    animais, obtido através do método da
    alimentação forçada. Esta provoca uma
    distorção no corpo dos animais e um
    fígado sete vezes maior que o tamanho
    normal. Quanto maior o fígado,
    mais foie gras e obviamente mais lucro.
     
     

    Desasseis dias antes da matança,
    e a partir daí diariamente, um funil
    de mais de 40 cm de comprimento é
    empurrado pelo pescoço abaixo destas
    aves. É então forçada pela garganta
    abaixo do animal, à máquina ou à mão,
    uma quantidade de cereais misturado
    com gordura que seria equivalente a
    12,6 kg de esparguete para um ser
    humano.
     

       

    A partir do 12º dia este processo é
    repetido de 3 em 3 horas, ou seja
    8 vezes por dia
    Por esta altura o corpo do animal
    já está completamente deformado,
    não se consegue mexer e respira
    com muita dificuldade .
    Ao 17º dia está morto .
     
       
     
     
    Foie gras significa gordura de fígado.
    Quem o come consome uma grande
    quantidade de gordura que vai
    directamente para o seu próprio fígado,
    provocando colesterol e contribuindo
    para muitos problemas de saúde. Uma
    grande parte da população do mundo
    sofre de má nutrição. Mesmo assim
    são gastas enormes quantidades de
    cereal precioso, para a produção deste
    produto caro, que é vendido em
    restaurantes e lojas de luxo, e que só
    alguns podem comprar. O sofrimento
    infligido aos animais, para o fabrico
    de foie gras, é altamente condenável.
    Nem sequer é um alimento de primeira
    necessidade, trata-se apenas de um
    aperitivo.
     
     

     

     
      

    Os ratos aproveitam-se destes animais,
    não se mexerem,
    para se alimentarem deles .
     

       
     
    Só lhe faz mal à saúde e não é só isso
    ACABA COM O SOFRIMENTO DOS ANIMAIS!!!
    Pare para reflectir um pouco,
    imagine se lhe fizessem uma crueldade destas e não tivesse
    meios para se defender.
    PREFIRA PATÉS DE VEGETAIS.

     
     
     

     

     Ganda Pinta

    October 24

    IDADE DE SER FELIZ...- Mário Quintana

     

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    IDADE DE SER FELIZ...

    Existe somente uma idade para a gente
    ser feliz, somente uma época na vida
    de cada pessoa em que é possível
    sonhar e fazer planos e ter energia
    bastante para utilizá-los a despeito
    de todas as dificuldades e obstáculos.

     

    Uma só idade para a gente se encantar
    com a vida e viver apaixonadamente e
    desfrutar tudo com toda intensidade
    sem medo nem culpa de sentir prazer.

      ... Fase dourada em que a gente
    pode criar e recriar a vida à nossa
    própria imagem e semelhança e
    vestir-se com todas as cores e
    experimentar todos os sabores e
    entregar-se a todos os amores sem
    preconceito nem pudor.

    Tempo de entusiasmo e coragem em
    que todo desafio é um convite à luta
    que a gente enfrenta com toda
    disposição de tentar algo de novo, e
    quantas vezes foi preciso.

    Essa idade tão fugaz na vida da gente
    chama-se  PRESENTE  e  tem a duração
    do instante que passa”...

    Mário Quintana

     

     

     Carlos Martins 

     
    October 13

    Gabriel Garcia Marquez…

     
     

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     Gabriel Garcia Marquez…
     
    …retirou-se da vida pública por razões
    de saúde: cancro linfático. Agora,
    parece que é cada vez mais grave;
    “Gabo” sabe que tem os dias contados….
    Enviou  uma carta  de despedida aos
    seus amigos que, graças à Internet,
    está a ser difundida.
    A sua leitura é recomendada porque é

    "Não chores porque
    já terminou, sorri
    porque aconteceu."

     

    "Te quero não por
    quem és, mas por
    quem sou quando
    estou contigo."

     

    "Tomara que
    conheças muita
    gente errada
    antes que
    conheças
    a pessoa certa,
    para que quando
    ao final a
    conheças,
    saibas ser
    agradecido."
     

    verdadeiramente comovedor este texto
    escrito por um dos Latino-americanos
    mais brilhantes dos últimos tempos.
    “ Se por um instante, Deus se
    esquecesse de que sou uma marioneta
    de trapo e me oferecesse mais um pouco
    de vida, não diria tudo o que penso mas
    pensaria tudo o que digo. Daria valor
    às coisas, não pelo que valem,
    mas pelo que significam.

    "Sempre haverá
    gente que te
    magoe, assim,
    o que tens que
    fazer é seguir
    confiando e
    somente ser
    mais cuidadoso
    em quem
    confias duas
    vezes."

    "Não passes o
    tempo com
    alguém que
    não esteja
    disposto a 
    passá-lo
    contigo."

     

    Dormiria pouco, sonharia mais,
    porque entendo que por cada minuto que
    fechamos os olhos perdemos sessenta
    segundos de luz. Andaria quando os
    outros param, acordaria quando os
    outros dormem.
    Ouviria quando os outros falam e como
    desfrutaria um bom gelado de chocolate !
    Se Deus me oferecesse um pouco de vida,
    vestir-me-ia de forma simples, deixando
    a descoberto não apenas o meu corpo,
    mas também  a minha alma.

     

    "Te converte
    em uma melhor
    pessoa e te
    assegura de
    saber quem és
    antes de
    conhecer
    alguém mais e 
    esperar que
    essa  pessoa
    seja quem és." 
     

    "Podes ser
    somente uma
    pessoa para o

    mundo, mas para
    algumas pessoas
    tu és o mundo."

     

     

    Meu Deus, se eu tivesse um coração,
    escreveria o meu ódio sobre o gelo e
    esperava que nascesse o sol.
    Pintaria com um sonho de Van Gogh
    sobre as estrelas de um poema de
    Benedetti e uma canção de Serrat seria
    a serenata que eu ofereceria à Lua!
    Regaria as rosas com as minhas lágrimas
    para sentir a dor dos seus espinhos e
    o beijo encarnado das suas pétalas...
    Meu Deus, se eu tivesse um pouco de
    vida...

    "Um verdadeiro
    amigo é quem te
    toma a mão e te
    toca o coração."

     

     

     

    não deixaria passar um só instante sem
    dizer às pessoas de quem gosto que gosto
    delas.
    Convenceria cada mulher ou homem que é o
    meu favorito e viveria apaixonado pelo
    amor..
    Aos homens provar-lhes-ia como estão
    equivocados ao pensar que deixam de se
    apaixonar quando envelhecem, sem saberem
    que envelhecem quando deixam de se
    apaixonar!
    A uma criança, dar-lhe-ia asas, mas
    teria de aprender a voar sozinha.

     

    "Nunca deixes
    de sorrir, nem
    quando estás
    triste porque
    nunca se sabe
    quem pode se
    apaixonar pelo
    teu sorriso."

     

     

     

    "A pior forma de
    ter saudade de
    alguém é estar
    sentado a seu
    lado e saber
    que nunca o
    poderás ter."

    Aos velhos ensinar-lhes-ia que a morte
    não chega com a velhice, mas com o
    esquecimento.
    Tantas foram as coisas que aprendi com
    vocês, os homens ! Aprendi que todo o
    mundo quer viver em cima da montanha,
    sem saber que a verdadeira felicidade
    está em subir a encosta...
    Aprendi que, quando um recém-nascido
    aperta, com a sua pequena mão, pela
    primeira vez, o dedo de seu pai,
    o tem agarrado para sempre.
     

     

     

    "Nenhuma pessoa
    merece tuas
    lágrimas, e
    quem as merece
    não te fará
    chorar."

     

    Aprendi que um homem só tem direito a
    olhar outro de cima para baixo quando
    vai ajudá-lo a levantar-se...
    São tantas as coisas que pude aprender
    com vocês, mas não me irão servir
    realmente de muito, porque, quando me
    guardarem dentro dessa maleta,
    infelizmente estarei a morrer...”

    "

    Somente porque
    alguém não te
    ama como tu
    gostarias, 
    não significa
    que não te ame
    com todo o seu
    ser."



    Ajuda a passar esta belíssima lição de
    vida, pelos teus amigos, pelos menos
    amigos,por todos aqueles que amam ,
    de verdade a
     
    V I D A !

     

     

    Não te esforces
    tanto, as
    melhores coisas
    acontecem quando
    menos se espera."

     

    October 03

    Mutilação Genital Feminina

     

     

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    Um pouco por todo o mundo onde existem muçulmanos esta
    é a prática, com a complacência de governos ditos
    democráticos, na base do respeito pelos usos , costumes ou tradições,
    mas será isto respeito ou barbarie?
    Serão estes usos e costumes legitimos? quando se sabe que
    estão contra tudo o q é mais sagrado para os mais elementares
    direitos humanos,
    não querendo fazer juizo de valor entre raças e credos coloco
    este post para alertar o q continuam a fazer a algumas
    mulheres por este mundo em pleno sec XXI.
    Uma noticia publicada num jornal português no
    ano de 2002, mas ainda bem actual,
    pois o abuso sobre a mulher em toda
    a parte do mundo é uma história interminal.
    "Never endind story "


    O holocausto silencioso das mulheres a quem
    continuam a extrair o clítoris

     

    Mesquita de Lisboa, duas da tarde de uma sexta-feira,
    dia sagrado para os muçulmanos. Envergando uma túnica
    larga em tons de amarelo e preto que deixa por vezes
    ver a nudez interior, a fanateca [nome guineense dado
    à mulher que pratica a excisão] diz de imediato que
    não está disposta a revelar nem denunciar o ritual
    feminino que implica o corte do clítoris.

    Fala da "vergonha" que seria um filho seu ver a
    prática exposta num jornal e, com isso, perder o
    carácter secreto que lhe está ligado.
    Exprimindo-se em fula [dialecto da tribo com o mesmo
    nome, uma das etnias muçulmanas mais expressivas da
    Guiné] e fugindo ao olhar da jornalista, a
    septuagenária sem nome lá vai dizendo que "é uma
    coisa dolorosa" e que se pode "salvar ou morrer".

     

    Zangada e desconfiada, faz questão de deixar bem
    claro que só está ali a conversar porque o líder da
    comunidade guineense muçulmana em Portugal,
    que fez as apresentações e teve de assegurar a
    tradução do diálogo, lhe tinha pedido.
    Há 15 anos em Lisboa, a fanateca assume ter feito
    excisões na Guiné, mas garante que em Portugal
    "ainda" ninguém lhe pediu e recusa-se a "pôr o
    segredo das mulheres a nu".
    A dada altura chora, porque já se está a "falar há
    tempo demais" sobre o assunto. No final da conversa
    é-lhe colocada uma hipótese que a faz mudar
    radicalmente de atitude. "Se eu me apaixonasse por
    um guineense muçulmano e ele quisesse casar comigo,
    pedindo-me para ser excisada, e eu aceitasse o pedido,
    poderia fazê-lo em Portugal?", questiona a jornalista.
    Brilho nos olhos e resposta afirmativa. Não faltaria
    quem fizesse.

     

    Segue-se a advertência de que a intervenção implica
    sofrimento, porque é feita "sem anestesia", e o
    conselho de se fazer acompanhar por quatro
    mulheres, "para a segurarem". Fora isso, era só o
    futuro marido "dar a ordem" e, obviamente, pagar o
    preço da excisadora.
    A conversa termina já a mesquita se esvaziou
    de gente.
    O líder da comunidade muçulmana da Guiné, Manso Baldé,
    que antes tinha confirmado ao PÚBLICO.PT que a
    mutilação genital feminina (MGF) era praticada em
    Portugal e que apresentou a septuagenária como sendo
    uma fanateca, despede-se perguntando à jornalista se
    percebeu que a anciã "não quis contar" tudo o que
    sabia. Ainda há tempo para mais uma troca de palavras
    com a fanateca. Segura as mãos da jornalista e insiste:
    "Então, sempre quer fazer?".

     

    Duas filhas morreram depois da excisão
    Nova tentativa. Quinta do Mocho num dia de sol. Tchambu
    recebe o PUBLICO.PT em sua casa. Guineense, muçulmana e
    excisada, não tem dúvidas em dizer que a MGF "só
    prejudica a mulher". Originária da tribo biafada,
    Tchambu não conseguiu evitar que a filha mais velha
    também fosse excisada,
    por pressão da avó, mas impediu que a mais nova tivesse
    o mesmo destino.
    Segundo Tchambu, enquanto nas outras tribos o fenómeno
    tende a desaparecer, no caso dos fulas - a etnia do seu
    companheiro actual - trata-se de um ritual
    "indispensável e obrigatório". "Eles fazem o
    que viram os antepassados fazer", afirma. Tchambu já
    teve discussões com o marido sobre a MGF. Apesar de duas
    das suas filhas terem morrido na sequência do fanado
    - nome do ritual guineense que marca a passagem
    da infância à idade adulta e que inclui a circuncisão,
    no caso dos rapazes, e a vulgarmente chamada excisão,
    no caso das raparigas -, o marido continua a dizer que
    o ritual "é um dever para um muçulmano" e considera que
    as filhas "morreram em combate". Tchambu dispõe-se a
    ajudar o PUBLICO.PT a encontrar outra fanateca.
    Recorre à irmã, que é "muito religiosa". Bobadela,
    no mesmo dia de sol.

     

    A irmã, mais velha, diz, num português difícil de
    compreender, que conhece "senhoras que fazem" e que em
    Portugal "manga [muitas em crioulo] meninas" já foram
    excisadas. Com uma neta recém-nascida, ela própria
    admite que levará a criança para a Guiné "para fazer lá".
    Dois encontros marcados com a fanateca, dois encontros
    adiados.
    "A senhora manda dizer que se quiser fazer tudo bem,
    mas se for para denunciar não vai falar".
    "As mulheres que não são excisadas não prestam"
    Sendo que na Guiné o ritual se mantém, a questão da
    conservação da prática no seio da comunidade residente
    em Portugal, na sua grande maioria concentrada em Lisboa,
    é inevitável. O PUBLICO.PT conversou com vários
    guineenses, muçulmanos e não muçulmanos, e a resposta foi
    quase sempre afirmativa, incluindo invariavelmente o
    "já ouvi falar de casos".
    Três líderes da comunidade muçulmana guineense em Portugal,

     

    dois fulas e um mandinga, não hesitaram em confirmar a
    manutenção da prática.
    Durante um encontro com o PUBLICO.PT, também na mesquita
    de Lisboa, os três membros da Associação de Muçulmanos
    Naturais da Guiné garantiram que a comunidade residente em
    Portugal "ainda faz o fanado", masculino e feminino.
    Com uma diferença: enquanto os rapazes são circuncidados nos
    hospitais, entre os nove e dez anos de idade, as meninas são
    excisadas em casa, recorrendo-se a uma anciã e normalmente
    ainda bebés, "com dois ou três anos, porque é mais fácil
    nessa altura".
    Admitindo que a festa associada ao ritual vai-se perdendo e
    que a tradição está "actualmente reduzida à excisão", os
    três responsáveis falaram da excisão feminina com a
    naturalidade com que se fala de outra tradição qualquer,
    reconhecendo, no entanto, que se trata de "uma cerimónia
    muito delicada" e que pode, quando mal feita,
    conduzir à morte.

     

    Muitas das vezes, quando algo corre mal no procedimento,
    costuma culpar-se a menina, porque já era impura, ou os
    pais da menina, porque não a educaram na pureza, ou
    atribui-se o fracasso a uma qualquer intervenção divina.
    Admitindo o carácter "secreto" da prática, os líderes
    muçulmanos adiantaram desde logo que as excisadoras
    "têm medo de ser identificadas, agora que há muitas
    organizações por aí que combatem" a MGF.
    "Os usos e costumes não devem ser abandonados. Há uma
    tendência [na Europa] para monopolizar a civilização e
    cultura dos outros.
    Não deviam pôr em causa [os nossos valores], nem dizer
    "A nossa civilização é mais bonita do que a vossa'",
    criticou Alage Mamadu Dumbiá, um dos membros da
    associação. "Não é crime, não pode ser crime, porque é a
    nossa tradição. É um símbolo da nossa identidade, uma
    forma de continuarmos a saber quem somos, fora do nosso
    país", defendeu.

     

    "Para nós, as mulheres que não são
    excisadas não prestam", explicaram os responsáveis.
    Na Guiné, utilizam-se até duas denominações diferentes
    para os excisados e não excisados.
    Aos primeiros, chama-se "lambé", que quer dizer "a
    pessoa que já sabe", aos outros chama-se "blufe".
    O argumento de Abraão
    Os responsáveis lembraram ainda que "há uma história"
    por trás da MGF. Conta-se que Abraão (ou Ibrahim, em
    árabe) casou com a bela mas estéril Sara. Foi ela
    própria que lhe sugeriu que tomasse outra mulher, que
    lhe desse descendentes. Abraão escolheu Agar, a
    escrava egípcia, que engravidou. Existem várias
    versões do fim da história, mas a que interessa para
    o caso conta que Sara, apercebendo-se do interesse
    crescente de Abraão por Agar, virou a sua ira contra a
    escrava, mutilando o seu órgão sexual.

     

    A este episódio relacionado com o profeta e patriarca
    das três religiões monoteístas, as fontes acrescentaram
    ainda que, durante os períodos de guerra, quando os
    homens saíam para combater, "era preciso tornar as
    mulheres mais frias, para que não procurassem sexo o
    tempo todo".
    Reconhecendo a eventualidade de graves consequências
    para a saúde das mulheres, a MGF é vista por estes três
    homens como algo que "não é mau em si" e que "até tem
    aspectos positivos", nomeadamente o de obrigar à
    fidelidade ao marido, "evitando doenças, porque as
    mulheres se contêm para ter relações sexuais" e tendem
    a "conservar-se". Apesar disso, a prática "torna a
    mulher sempre higiénica". No entanto, realçam, a excisão
    feminina "não é uma obrigação".

     

    Também o presidente da Associação Guineense de
    Solidariedade Social, Fernando Ká, disse já ter ouvido
    falar de "casos" de MGF no seio da comunidade guineense
    muçulmana residente em Portugal, mas não dispor de
    detalhes. Achando "possível" que a excisão feminina
    seja praticada em Portugal, Fernando Ká
    sublinha que não o será "em grande escala", mas apenas
    "por um número pouco significativo de pessoas".
    No entanto, confirmou, alguns pais levam as filhas para
    a Guiné para serem excisadas.
    Por seu lado, Manso Baldé, o presidente da Associação de
    Muçulmanos Naturais da Guiné, sublinhou que essa opção é
    "muito dispendiosa" e garantiu que "é mais frequente"
    fazer-se em Portugal.

     

    Virgínia, uma enfermeira que há muito combate a MGF na
    Guiné, mais conhecida como "tia Bitcho", adiantou ainda
    que os guineenses muçulmanos a residir em Portugal que
    tenham posses "mandam buscar" uma fanateca no país de
    origem, pagando-lhe as despesas para vir a Lisboa.
    Confirmando que "as mulheres guineenses muçulmanas a
    viver em Portugal são todas excisadas", Fernando Ká
    afirmou acreditar que "a geração mais nova já não está
    tão susceptível à prática".
    Esta ideia foi também partilhada pelos membros da
    Associação de Muçulmanos Naturais da Guiné, que afirmam
    que o ritual "tem tendência para diminuir". No entanto,
    ninguém quer ser "o dessacralizador do sagrado",
    confessaram.

    Sofia Branco 
    in Público, Domingo, 4 de Agosto de 2002

     
     
    September 21

    Pai! - Rita Martins

     

    Clique na pauta animada para ouvir a musica

     

                             

    Pai!

    Que seria eu sem ti?

    Que vida seria a minha?

    Como a vida é dura!

    Como a tua menina sofre

    O mundo ideal afinal não existe

    A vida é apenas imaginação

    Que delicia os teus braços

    Que doçura o teu carinho

    Que vida tão escura, tão triste

    Onde tudo o que esperamos é a

    felicidade

    e onde se obtém a dor, a tristeza

    Queria nunca mais deixar de ser

    pequena,

    de ter a tua protecção

    Onde o mundo pareça alegre

    onde a vida seja feliz.

    Pai, nunca me abandones

    nunca deixes que a desilusão

    Nos separe

    nunca sintas vergonha de ter uma

    filha

    triste como eu.

    Amo-te

    Rita Martins